Dois teólogos e uma pandemia

Simbiose teológica

Você está diante da televisão ouvindo várias notícias sobre os problemas sociais causados pela pandemia da covid-19. Sua mente já está cansada de tudo isso, preocupada com parentes e amigo, sentindo falta da comunhão eclesiástica e ansiosa para o futuro incerto pela frente. Perdido nos pensamentos você escuta seu celular tocar e volta a realidade. É uma chamada desconhecida para uma reunião no Skype. Quem pode ser? Você aceita, entra na reunião e fica paralisado. Na tela a sua frente estão John Piper e N. T. Wright. E eles querem conversar com você sobre Deus, igreja e a pandemia. Eles estão prontos para falar, argumentar, discordar entre si e aconselhar. E você estará ali, na sala de sua casa, aprendendo e filtrando tudo desses dois grandes teólogos…

A consoladora soberania de Deus

Os dois livros são muito bons. Confesso que gostei um pouco mais de N. T. Wright. Explico isso muito pelo “elemento de novidade”. Por mais que eu já tivesse lido outros livros de Wright e estudado um pouco de sua teologia, Piper me é muito mais familiar. Eu já imaginava muito do que ele escreveu. Porém, no meio da genialidade de Wright uma coisa me deixou em dúvida: sua visão da soberania de Deus. Alguns de seus trechos não deixam claro o que ele crê sobre a soberania de Deus e abre espaço para ideias que julgo não saudáveis ou, no mínimo, menos adequadas.

Sabedoria prática diante das tragédias

O ponto forte de Piper se espalha por toda a primeira parte de seu livro, chamada de “o Deus que reina sobre o coronavírus”. O teólogo de Minneapolis nos apresenta a rocha da nossa esperança e do nosso consolo através dos atributos divinos imutáveis. “Deus está com suas mãos sobre o vírus” (p. 16). Mãos justas, santas e soberanas. E agora, diante dessa maravilhosa verdade, o que devemos fazer? Como a igreja fala e age diante das tragédias? É na resposta dessa pergunta, analisando apenas os livros, que enxergo N. T. Wright mais forte que John Piper. Se a primeira parte do livro de Piper é ótima, a segunda, chamada “o que Deus está fazendo através do coronavírus?”, me deixou inquieto. Ali está o ponto fraco do livro.

O que aprendemos com esses dois gigantes?

“Sobre os ombros de gigantes” é uma expressão famosa. Seu uso mais conhecido talvez seja o de Isaac Newton, que escreveu: “se eu vi mais longe, foi por estar sobre os ombros de gigantes”. Esse texto é um convite para ajustarmos nossa visão diante das tragédias humanas. É um convite para subir nos ombros de dois gigantes. Se imagine sentado sobre o ombro esquerdo de John Piper e o ombro direito de N. T. Wright. Você estaria no ombro mais forte de cada um deles e poderia enxergar mais longe. Grandes Teólogos são exatamente isso, ombros fortes que podemos nos apoiar para enxergar melhor. E por vezes somos abençoados ao sentar em ombros fortes e diferentes ao mesmo tempo. Quando temos gigantes escrevendo sobre o mesmo assunto temos mais ombros para ajuda no ajuste da visão. Saiba valorizar isso.

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Casado com Laryssa, pai do Davi e da Ester, pastor na Igreja Batista Filadélfia (Fortaleza-Ce) e apaixonado pela doutrina da Trindade.

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Pedro Pamplona

Pedro Pamplona

Casado com Laryssa, pai do Davi e da Ester, pastor na Igreja Batista Filadélfia (Fortaleza-Ce) e apaixonado pela doutrina da Trindade.